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São 2h30 da madrugada de uma sexta-feira. A Rua Dona Ana Néri, na Mooca, assim como a maior parte da cidade, dorme profundamente. Nenhum movimento.
Os estabelecimentos e residências daquele lugar, típicos de um bairro tradicional de São Paulo, com construções antigas e fachadas surradas pelo tempo, também estão tranqüilos.
Nada de anormal. De repente, no número 282, uma porta de ferro se abre e rompe o silêncio da madrugada. Seu Toninho - Antônio Garcia Lopes -, de 74 anos, junto da nora (Débora Sato) e da neta (Vanessa Sato Garcia) estão a postos para iniciar uma jornada de trabalho. Sim, o expediente deles começa às 2h30 da manhã. A churraria do Toninho, como é conhecida pelos baladeiros de plantão, é sucesso há 47 anos. Filho
de pais espanhóis da região da Andaluzia, seu Antônio é daquelaspessoas agradáveis, com as quais podemos passar o dia ou a madrugada inteira batendo papo e ouvindo histórias deliciosas acerca dos famosos churros. "A minha vida é isso aqui. Sempre digo que não tenho fregueses, tenho uma grande família", comenta. A casa funciona somente aos sábados, domingos e feriados, das 2h30 às 11h30 da manhã. Nos horários de pico - às 4h - a fila começa a embalar e ele é obrigado a distribuir senhas para não virar bagunça. A espera pode chegar a uma hora. |
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Segredo a sete chaves
De receita espanhola, que o proprietário não revela por nada desse mundo, seu Antônio é radical quanto às tradições de sua iguaria. "Churro com recheio não é churro. O máximo que eu permito aqui é um açúcar com canela polvilhado por cima da roda. Mas o ideal é que as pessoas saboreiem puro. É assim que eu gosto", conta o mestre churreiro. Para fazer a massa, ele usa farinha e..... e o que mais mesmo seu Toninho??? "Já falei que não posso falar a receita. Outro dia uma revista fez uma matéria aqui e citou que a massa era à base de sal, farinha e açúcar... coitado de quem tentou fazer em casa! Não deve ter saído nada", emenda. Mas, para tanto segredo, há uma razão contundente, não é seu Toninho? "Claro, um dia eu vou querer passar o ponto e vou vender a receita junto. Se eu revelar para vocês, não vai ter mais graça".
Bastidores
A casa simples, sem luminoso e com um pequeno balcão à frente, vende cerca de 10 a 15 quilos de churros por noite. A massa é feita na hora por seu Antônio na parte de trás (para ninguém ver) e é batida pela neta dele, que dá o acabamento final. Na hora da fritura, ele utiliza uma bomba (é assim que ele chama a peça pesada de cobre em forma de uma bisnaga confeccionada por um cliente), enchea de massa e desenha o aspiral de massa no óleo que já está tinindo. "A ciência toda aqui é aquele fogão portátil e o óleo na temperatura ideal. O legal é que fiquei cerca de 20 anos com um fogo a carvão", conta. Mesmo já tendo "modernizado" a fritura dos churros, seu Antônio faz questão que tudo seja muito artesanal e rústico. Desde a própria bomba - que desenha a roda no óleo - às suas incansáveis mãos - que produzem a massa - tudo é como sempre foi. |
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Making of
. No meio da entrevista, seu Antônio me deu a bomba de preparar a roda do churro para eu sentir o peso. É pesadíssima, bem artesanal: "Quando eu parar, ela vai direto para um museu. Ninguém mais usa isso hoje em dia, é relíquia", sorri ele.
. Quando seu Antônio me deu o churro para eu experimentar, ficou de olho para saber se eu iria colocar açúcar e canela. Mas comi puro, como manda o figurino. E adorei! Sem dúvida, o churro é delicioso e o seu Toninho tem razão quando diz que o ideal é comer sem açúcar, ao natural. Dá para sentir a consistência e o sabor da massa, cuja receita continua guardada na cabecinha do seu Antônio.
. A nora dele, Débora Sato, é engraçadíssima, e anima todo mundo que chega por ali.
. Para acompanhar os churros, a casa dispõe de café, leite, chocolatee refrigerante. Mas eu recomendo somente um cafezinho preto.
. Uma rodela maior do churro serve até sete pessoas e custa R$ 8. A menor sai por R$ 6. Os pedaços estão por R$ 0,30 e têm mais ou menos 20 cm.
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