 Conexão Manhattan
Aos 50 anos, esse paulistano do Bom Retiro é uma das vozes mais respeitadas do jornalismo brasileiro - como correspondente da Jovem Pan em Nova Iorque e um dos integrantes fixos do polêmico Manhattan Conection, exibido aqui pelo GNT. Casado com a filipina Alma e com duas filhas multinacionais, é um cidadão do mundo - mas não esquece São Paulo. Nas férias, está por aqui. Fugindo do tórrido verão no Por Celso Arnaldo Araujo
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Caio Blinder, de férias em São Paulo, visita os estúdios da Jovem Pan |
Em pleno verão em Nova Iorque, você vem passar férias em São Paulo. A Big Apple costuma "assar" nesta época do ano?
Nova Iorque, no final de julho e em agosto, é insuportável. Turistas, por favor: não é a melhor época para se estar na cidade. Ondas horríveis de calor alternadas com chuvas torrenciais. Mas a cidade está linda, com as pessoas semidespidas.
Qual foi seu pior inverno em NY?
Foi 1995 - meu segundo ano lá. As piores tempestades na cidade em décadas. Tudo fechou - aeroportos, estradas, pontes. Nova Iorque ficou isolada. Durante três dias não pude sair de casa. Mas, sem esses extremos, uma das coisas que mais gosto lá são as quatro estações bem definidas, cada uma com seus rituais de vida e de moda. O outono e a primavera são lindos. Nova Iorque e Paris são cidades para maio e setembro.
Por falar em setembro, onde você estava na manhã daquele fatídico dia 11?
Era uma sexta-feira linda. Aliás, cometi um pecado na resposta anterior. Nova Iorque é linda em setembro - menos naquele dia. Fui um poeta, mas um mau jornalista... Eu estava fazendo a pauta do Manhattan Conection, com o Lucas Mendes, em nosso escritório em Times Square. O Lucas sugeriu subirmos ao refeitório, no décimo-sexto andar, para buscarmos inspiração. Quando voltamos ao escritório, já estava aquela polvorosa. Nos dissemos bye-bye, porque sabíamos que seria uma longa cobertura. Estávamos completamente sem comunicação e preferi ir trabalhar em casa. Ao chegar, uns 40 minutos depois, havia vários recados da Jovem Pan, alguns não muito gentis, na secretária eletrônica. A partir daí, fiquei no ar por horas. Mas, no começo, ninguém sabia o tamanho daquilo. Podia ser o início da Terceira Guerra Mundial. Eu me assustei muito, mais do que com o ataque às Torres Gêmeas, quando um terceiro avião caiu sobre o Pentágono. Onde podia ser o próximo? Naquele primeiro dia, me senti como as pessoas devem ter se sentido em 1940, durante a II Guerra Mundial, quando Londres era bombardeada. Nessa hora, você tem que ser repórter, analista e historiador. Como ser humano e como jornalista, sem dúvida foi o dia mais importante da minha vida. Sou diabético e não retenho água no organismo. Peguei um balde, coloquei embaixo da mesa e fui em frente, sem noção de tempo.
Quando Nova Iorque voltou a seu dia-a-dia normal?
Rápido. Quando começaram a vaiar o prefeito, tudo já estava normal... Aliás, achei bom que o prefeito Giuliani não tenha decolado na corrida presidencial. Porque ele politizou o 11 de setembro. Ele foi o Churchill de Nova Iorque nos três primeiros dias. Depois, se perdeu. Mas não demorou muito para a cidade voltar a ter sua vida - o que não é um sinal de insensibilidade, mas de força. E cada um deu sua contribuição. Eu, por exemplo, tenho muito poucas mordomias como jornalista. Uma delas é uma placa de imprensa que me permite estacionar em ótimos lugares. Eu paro em Times Square. Perguntam se eu não tenho medo de bombas. Não, eu preciso provar para esses assassinos que eu não tenho medo. Não alterei meu modo de vida.
A cidade voltou a ter medo no blecaute de 2003?
Nunca vou esquecer desse blecaute, porque aconteceu em 14 de agosto - dia de meu aniversário. Acendi velas para mim mesmo... Em Nova Iorque, tudo o que acontece de ruim, de acidentes mecânicos a eventos naturais, pensa-se logo em terrorismo. Mas a cidade que ressurgiu daquele 11 de setembro é tão forte que, ao contrário de blecautes anteriores, marcados por motins, esse foi até tranqüilo. Naquele 11 de setembro, todo mundo era novaiorquino. Não foi um atentado à cidade, mas contra todos nós.
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Caio nas ruas de Manhattan e no estúdio da GNT, com a bancada do Connection, 15 anos no ar |
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