 A cor da beleza
A top Gracie Carvalho saiu do interior de São Paulo para conquistar, com graça, beleza e sensualidade, o universo da moda Por Daniela Domingues
Gracie carvalho
Ela saiu de São José dos Campos, de uma família de 17 irmãos, para simplesmente arrasar em desfiles, campanhas e editoriais pelo Brasil e pelo mundo. Gracie hoje se destaca como uma das poucas modelos negras de repercussão mundial. Já conhecida no mundinho fashion, ela se tornou conhecida também na mídia, após a polêmica das cotas raciais no último São Paulo Fashion Week, ocasião em que foi praticamente a porta-voz do assunto.
A beleza singular e a sensualidade desta paulista de 19 anos e 1,76m de altura encantou grandes grifes internacionais a ponto de ela ser considerada a modelo do momento no hemisfério norte. Já fez caras e bocas em campanhas das marcas DKNY Jeans, GAP, Express e em editoriais de revistas como ID Magazine, Vogue Brasil e Key Magazine. Desfilou para grifes como Diane Von Furstenberg, Stella Mc Cartney, Iceberg, Carolina Herrera, BCBG, Viktor & Rolf, entre outras. Já esteve diante das lentes de verdadeiros monstros da fotografia, como Patrick Demarchelier, Jacques Dequeker, Michael Roberts e Bob Wolfenson; está estrelando campanhas e catálogos da Victoria's Secret. Hoje mora em Nova York, mas vive a mil por hora, sobrevoando a Europa e América, para dar conta da demanda que não para. E ainda bem, porque assim podemos ter a sua beleza brasileiríssima nos representado mundo afora
Como você foi parar no mundo da moda?
Eu sou de São José dos Campos, interior de São Paulo, participei de um curso de modelos na minha cidade, fiz o book e fui para capital sozinha em busca do meu sonho. Quando cheguei à agência, eles já me contrataram.
Você nasceu em São José dos Campos e vem de uma família de dezesseis irmãos. Quais são as suas impressões do lugar em que viveu?
Até hoje, quando estou no Brasil, passo a maior parte do tempo na minha cidade. Com o dinheiro que estou ganhando como modelo estou construindo uma casa para a minha mãe Tento ajudá-los da melhor forma possível. Procuro manter a minhas raizes.
Foi difícil ganhar visibilidade neste universo? Quais foram os principais obstáculos?
Eu tive muita sorte. Posso dizer que tudo aconteceu no momento certo e na hora certa. Ao contrário do que as pessoas imaginam, por trás de todo o glamour da profissão de modelo existe muito trabalho e dedicação. Além disso, você tem de estar preparada para receber um "não" a cada momento e ainda lidar psicologicamente com o ego inflado das pessoas que trabalham com moda. Não é fácil. Mas, por enquanto, está dando tudo certo pra mim. Tenho feito ótimos trabalhos e estou conquistando o meu espaço a cada dia.
Sobre a questão das cotas raciais, as modelos étnicas precisam mesmo desse tipo de proteção?
Pra mim existe o lado positivo e o lado da questão. Se for para aumentar o número de trabalhos, eu aprovo. O que me incomoda é a forma como o assunto foi tratado e a polêmica gerada em torno dele. Também não acho que as pessoas devam se sentir obrigadas a contratar um modelo por conta de cotas. Devemos ser contratados pelo reconhecimento de nosso talento, não por sermos negros. Isso é que me ncomoda.
Hoje há uma demanda maior?
Eu nunca tive problema por ser negra. Sempre trabalhei bastante. Acho que o mercado está mudando e as oportunidades aumentaram.
Como você se vê diante da responsabilidade de ser uma das poucas modelos étnicas a ganhar visibilidade neste mercado?
Tive muita sorte e sempre fui muito dedicada ao meu trabalho. Apesar de ter conquistado espaço no mercado de moda, mantenho a mesma personalidade da garota simples do interior de São Paulo. Com isso, venho conquistando a simpatia dos clientes.
O fato de uma negra, a Taís Araujo, ser a atriz principal da nova novela das 8 traz algum benefício?
Sim. É uma forma de mudar a cabeça das pessoas em relação ao preconceito racial. Acho que estamos vivendo um momento ótimo, as pessoas estão com a mente mais aberta em relação a isso. Ações como essa deveriam ser constantes.
Existe algum ritual antes de entrar nas passarelas ou de fotografar?
Manter a calma sempre e pensar: "Eu vou arrasar e vou dar o melhor de mim" (risos)
O que te deixa poderosa?
Um salto bem alto e vestido justo. É sexy!
Peças imprescindíveis no armário?
Jeans, camiseta branca, salto e vestido justo e curto. São peças que não podem faltar no meu guarda-roupa.
Um cosmético que não vive sem?
Creme hidratante para o rosto. Pele hidratada e saudável sempre.
Um refúgio?
São José, com minha família. No pouco tempo livre que tenho, corro pra lá. É muito bom ficar perto das pessoas que você ama.
Se inspira em alguma modelo?
Gosto da Liya Kebede. Ela é negra, linda e está na lista das top models mais influentes do mercado de moda.
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